Minha vó daqui de Campinas, hoje: Medo de quê? Não tenho medo de paredes!
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A palavra rancor me dá fome.
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- We’re speaking our third language, baby.
- I hate you…
- Much better.
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CHEQUE A PINTA.
Ele havia passado cheque aquela vez e na hora do banho juntinho-vamos nos limpar, disfarçadamente tentou limpar uma mancha na barriga do sujeito.
É uma pinta dentro da outra, o outro disse.
E era; uma mais clara, maior, cujo centro, mais escuro, era tão arredondado quanto as margens mais externas. Uma pinta dentro da outra.
Sorriu e fingiu que desde o princípio estava acariciando o detalhe inusitado, o que não foi difícil.
Às vezes quando alguém se contorce, tem gente que pensa que é por prazer e isso sim é difícil. Nos dias que se seguiram, sempre dói pensar que o melhor de alguém foi um mero detalhe. Um pouco de memória tátil e ele era capaz de sentir o leve relevo das duas pintas, e pensar nas estocadas rápidas, coito e descaso…
Triste é pensar que a recusa tensiona as pregas. Que o desespero se velado é potencialmente o que mais agrada. Acho que a tristeza é capaz de parir um estupro de quase qualquer lembrança, pensou ele. Pensou também que a memória funcionava exatamente como aquela pinta dupla, cujo centro logo seria da cor de escuro cerrado por pálpebras e cujas margens ele nunca mais confundiria com merda outra vez na vida.
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Aquele que não se importa com a morte jamais narrará bem.
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Eu te machuco e você nem demostra. Você me machuca e nem percebe.
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I said They all are out of gold.
You say They’re what makes gold shine.
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As pessoas têm que aprender a serem mais radicais e menos exageradas. Tudo, tudo o que foi escrito sobre o Al Berto está errado, só não sei se tenho forças para lutar contra isso academicamente. E eu sei que estou sendo apenas exagerado…
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Não sabemos prever a rota dos objetos não redondos mesmo quando caem por sobre superfícies de planitude ideal. Esperamos guizos ou que se estilhacem de forma coerente, cacos pequenos que partam de um epicentro. Contudo, poucas vezes é esse o caso. As coisas rolam incertas e silenciosas, formatos inesperados, ziguezagues íngremes, tapetes, carpetes e capachos.
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Ele pegou o animal morto pelas quatro pernas, e agarrando firme duas patas com cada mão, pôs o corpo do animal por sobre a nuca feito um cachecol. Os chifres foram os primeiros a escorrer. Gostaria de saber por qual ombro escorriam, mas o crispar dos olhos que queimavam o desnorteavam por demais. Logo percebeu que aquilo que carregava não carecia do peso que lhe estava a impor, pressionando asgustiado seus dedos contra a carne magra do animal. A força era tanta para algo tão continuadamente mais insignificante, que lhe arrancou as pernas do dorso, sobrando-lhe 4 ossos longos nas mãos sujos. Em sua nuca, uma presença que só uma sombra descreveria. Que só muita culpa concederia veracidade. As mãos agora se tingiam de uma luminosidade estranha que ele não conseguia arranhar as costas com as unhas em busca de resquícios e se as encarasse por breve instante que fosse, era capaz doentemente de brever os 4 longos ossos de seus próprios braços. Sobravam-lhe entranhas agora e não havia em seu corpo água ou sangue que alimentasse tanta criatura. Dar um passo agora era separar um órgão vital ignorado de sua medula particular. Porém, dizer adeus esperando que algo se partisse era ainda mais improvável. Frida, agora, desenha o meu rosto.
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Há um perdão na prosa que a poesia desconhece: se eu te der uma verdade ou uma frase de efeito, você se dá por satisfeito e me perdoa por tantas linhas vertiginosamente preenchidas. Há uma licença poética que a prosa não legitima: é como se fosse possível ver os clichês através de suas próprias pátinas.
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“Quando você menos suspira.”. Ah, se eu fosse mais ladrão!
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“Mais tarde é ainda ter por que voltar.” Ah, a incrível arte de ler errado…
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Young Gods: Freedom, clap your hands!
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Acho que nunca houve algo que eu realmente quisesse gritar.
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Sem saber o que a manhã perdia ao se matar com graça e abstração entre a incerta horta do almoço e o fim derradeiro de todas as tardes (todas um crepúsculo qualquer sem nada de especial), desejei tudo aquilo da exata forma que existia. E nisso tudo só encontrei tristeza.
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Há os que se perdem sem se deixar.
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Steely Dan: I’m through with buzz.
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Walter J. Ong: A hunter can see a buffalo, smell, taste, and touch a buffalo when the buffalo is completely inert, even dead, but if he hears a buffallo, he had better watch out: something is going on.
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I don’t like anything.
I don’t like frustration. -
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Homem preso por atirar em rapaz agitado. Ele disse que estava tentando cochilar em seu carro antes de pegar o trânsito de volta. Estava estacionado alguns metros à frente de um movimentado ponto de ônibus na zona oeste de São Paulo. Quando aquele moleque passou uma, duas, três vezes por seu carro e voltava pro ponto. E corria na volta para verificar as placas de itinerário! E não pegava maldito ônibus algum. Aquilo foi inervando o homem. Na terceira, abriu a porta do carro e disparou enlouquecido sem nem mirar no peito direito. Dissem que o garoto disse que o carro da frente tinha uns assentos de couro estranhos. E que as articulações de Martinet eram um nó teórico.
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Shout me as you like it, but don’t spell me wrong.
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You begin new sins.
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The way I love is a steel version of me.
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I’m still while.
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I’m still he’s.
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I’m still his.
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Everybody’s high, everybody’s fired.
Monday we gonna restart everything…
Now we gonna practice the smiles we still gonna need. -
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Existe regra de etiqueta pra pegar carona em moto?
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Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto,Chico Buarque: Pedaço de mim.
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Henrique me espera na Praça do Povo, ali na Ciudad Jardin.
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Ela desconhece os corredores: os cômodos mudavam ao piscar dos olhos. Era preciso querer copos, corpos, ver a rua e então surgiriam quartos, cozinhas e salas amplas. A tiracolo sempre uma bolsa Mutterkuchen, vermelha. “Cama só para dormir e fazer amor. Tire do quarto estantes e computador, essas coisas atrapalham o sono.”, revistas são engraçadas, ela ri.
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Foi uma boa madrugada.
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Algo zune quando berro durante o banho.
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Eu conheço um jeito alegre ma non troppo da gente se perder…
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Há os que te conhecem. Eu assino pelos que te vivem.
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Me perdi sem reconhecer os desertos. Farejei lágrimas até sentir nojo do mar. Mas não eram miragens as árvores que eu vislumbrava, o vento sussurrava e eu esquecido do que era gente previa florestas esgueiradas. O tédio contava as horas e o tempo enrugava meus dedos, ou seja, o que na verdade era areia eu apreendia como morte lenta, pois o resto era de súbito. Não havia insolação que não me cravasse de desconsertantes memórias, nem noite que não me possuísse de desejos últimos e imperdoáveis. Me comi ratos, me vigiei águias e rastejei, olfativo. Recontei inúmeras vezes os arvoredos, amargurado. Morri sem reconhecer os desertos.
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Enquanto desconhecida, toda causa é perceptualmente aleatória.
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A vida é cheia de verdades que só a insônia legitima.
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Nothing can change the middles of a light:
Silly mirror hidden from me, now you end over here. -
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Deitar-se de manhã. Ler. Sem apagar as luzes.
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Lambe o que te tortura. Não como se cuspe amenizasse estilete e palavrões, nunca minta tão bem. Entre um boquete e desprezo genuíno, aja sem remorso algum; pois entre o que significa a palavra mossa e o que realmente houve sinto lhe informar que a intersecção não é das mais animadoras, buraco raso do qual se vê facilmente o fundo do estrago; irreparável, no caso. É a aspereza que corta, você percebe? Toda crueldade é áspera mesmo se esmaga, sutil, mesmo aquilo que só risca a pele, cortes eternos, à língua seria áspera. A língua seria áspera, não vê? É preciso crer no boquete que humilha, minar cada poder fálico, áspero, áspero, lésbico e minta por mim, use tudo de si, para que alguém me acredite que não falo de sexo.